Gostava de começar por agradecer o convite que me foi endereçado para apresentar o prémio
carreira da XXVIII edição dos Smashing Awards da Escola Secundária Rainha Dona Amélia. É
com enorme prazer que o faço, mas também com consciência da enorme responsabilidade
que me foi atribuída. Em primeiro lugar, devido à solidez, qualidade e longa história destes
prémios, que muito têm honrado o nome da nossa escola, tornando-os caso único de
qualidade e durabilidade, atravessando várias gerações de alunos, muitos deles hoje adultos
realizados profissionalmente, mas que não esqueceram a importância que foi a sua passagem
por este palco; em segundo lugar, por se tratar do prémio carreira, aquele que distingue quem
construiu a carreira mais completa e exemplar na escola.
Muitas vezes, para entendermos o verdadeiro sentido e amplitude das palavras que usamos,
vale a pena fazer uma pequena viagem ao seu passado - ao seu étimo, dirão os linguistas – e,
de facto “carreira”, no seu original, em Latim, significava estrada para carros, a que cedo os
Romanos associaram a expressão ”cursus honorum” (caminho das honras), a carreira dos
cidadãos romanos de pleno direito na procura da honra ao longo do exercício da sua ação
cívica. Carreira tem, por isso, uma forte relação com honra, com civilidade, com distinção justa
e é nesse sentido que este prémio é atribuído, o que faz cada vez mais sentido no tempo
presente, quando esses valores são tão desprezados por aqueles que nunca tiveram
envergadura para os praticar.
Trabalhar e fazer carreira é um extraordinário ato heroico, que só sabe quem o faz. Longe dos
holofotes da fama, muitas vezes numa estrada (a mesma a que os romanos se referiam)
silenciosa, cheia de curvas, armadilhas e carruagens em contramão, onde apenas a
perseverança de quem conduz pode levar ao destino final em segurança. A pessoa que hoje
aqui distinguimos entre nós fez esse caminho, sem vacilar, sem desistir, e os obstáculos que
teve de ultrapassar foram muitos: maiores do que os da maioria dos seus pares! Contudo, não
desistiu, procurou ajuda nos que estavam à sua volta, discreta, mas determinada e tirou força
das suas fraquezas, como diria Miguel de Cervantes.
Os resultados académicos que alcançou foram acompanhados de um amadurecimento pessoal
e intelectual que levou à construção do seu lugar distinto entre os seus colegas, sem ser
necessário impor-se ou destacar-se. A sua autoridade é-lhe reconhecida por todos, fruto do
seu esforço e do seu trabalho, por direito próprio, sem que o tenha de exigir ou agradecer às
ações de outrem.
A sua natureza e caráter fizeram também com que nunca esquecesse os outros. Mesmo no
meio da sua própria adversidade, não negou a ajuda aos outros, disponibilizando-se para
partilhar o fruto do seu esforço com eles, sem medo de que isso atrasasse a sua viagem. Esta
abnegação é virtude de apenas alguns, infelizmente bastante poucos, nos dias que correm.
Atrevo-me a dizer que a nossa escola, ao longo das suas sete décadas de existência, construiu
a solidez do seu nome sobre o trabalho de alunos assim: diligentes, empenhados,
perseverantes e altruístas, que aqui receberam as bases da sua formação e levaram, depois, o
nome da Escola Secundária Rainha Dona Amélia a todo o país e ao mundo. É, por isso,
também, um dever desta instituição agradecer-lhes o bom nome que têm dado à nossa escola,
que muito nos honra e nos enche de orgulho. E é isso que aqui fazemos, reunidos todos, neste
momento, felicitando os nomeados e todos os que agora concluem o seu percurso de ensino
na nossa escola, a todos eles os nossos parabéns e o nosso imenso orgulho.
Assim, o prémio carreira da XXVIII edição dos Smashing Awards é atribuído à aluna Aleksandra
Arliapova da turma 12.º H2, finalista do Curso de Línguas e Humanidades. Muitos Parabéns!
Sacha, venha ao palco receber o prémio que é, por direito, seu.
O professor de História
Luís Serra



















